segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Cinzas de entes queridos compõem matéria-prima para quadros expostos em Balneário Camboriú


Variedades | 01/11/2011 | 23h16min

Um grupo de artistas foi convidado para criar as obras a partir de um briefing da pessoa cremada

Jacqueline Iensen | jacqueline.iensen@diario.com.br

Começa nesta quarta-feira uma exposição inusitada no Crematório Vaticano, em Balneário Camboriú, no Litoral Norte. Nas obras de arte da mostra, misturaram-se cinzas e lasquinhas de ossos humanos ao colorido das tintas. Em vez de manter o material nas urnas, as famílias cederam parte para um grupo de artistas, que devolve tudo na forma de pinturas.

Não houve contato direto. Por uma questão ética, o crematório prefere intermediar o repasse das informações. Com base no briefing sobre os gostos do defunto, a obra começou a ser criada.



Parece algo muito simples, um trabalho comum, mas os cinco artistas convidados para a tarefa sentiram um arrepio ao receber o convite: incorporar às suas técnicas as cinzas que seriam guardadas numa urna ou espargidas no mar.

A pintora Solange Ribeiro recebeu 60 gramas de cinza e a foto do rapaz a ser homenageado ao lado de duas coisas que adorava: o fusca amarelo e a cachorrinha. Ela fez um desenho compondo os três elementos mas não se sentiu à vontade para usar a cinzas na imagem.

Como nunca tinha trabalhado com o material temia alguma reação química. Estava certa. Ao misturar a cinza ao gesso percebeu que o material reage e aumenta de volume. Optou por usar material numa espécie de moldura do quadro, que ao final foi folheada a ouro. O envolvimento emocional foi imediato.

— Parecia que eu conhecia ele — diz Solange.

Devota de Nossa Senhora Aparecida, Evelina Carrajola, professora de pintura na Fundação Cultural de Balneário Camboriú, disse que antes de aceitar o desafio conversou com o padre de sua paróquia. Temia desrespeitar a morta. Tranquilizada pelo religioso de não estar profanando o corpo, começou a trabalhar. Nos detalhes do manto de Nossa Senhora Aparecida colocou a cinza em pequenas gotas de tinta.

A desenhista Bianca Oliari Macoppi trabalha com luvas e diz que sempre pede licença antes de manusear os despojos.

Como a morte é inexorável e assusta, mexer e remexer com os mortos não é muito fácil. A pedido das famílias, os nomes dos homenageados na exposição não foram divulgados.

Fonte: http://www.clicrbs.com.br/anoticia/jsp/default.jsp?uf=2&local=18&section=Geral&newsID=a3547890.xml

Crematório transforma cinzas em obras de arte

02/11/2011 - 09:35 - Atualizado em 02/11/2011 - 09:39

O Crematório Vaticano, pioneiro em Santa Catarina, propõe uma homenagem fora do comum aos entes queridos que já morreram. Neste dia de Finados, haverá uma exposição de obras de arte feitas com cinzas. O Vaticano, localizado em Balneário Camboriú, vai mostrar como as pessoas podem se aproximar dos familiares que já partiram de uma forma diferente.

O evento em Balneário Camboriú vai contar com 10 obras desenvolvidas por oito artistas plásticos de acordo com o gosto dos entes queridos e lembranças dos parentes que doaram as cinzas. André Zanotelli, Bianca Oliari Macoppi, Evelina Ana Carrajola, Olga Aquino, Solange Ribeiro, Tony Reis, Graciela Scandurra e Miriam Brunor Cooper incorporaram as cinzas ao material usado nas obras, como pintura em óleo sobre tela, desenho em carvão, pintura em acrílica sobre tela, técnica mista e escultura.

O lançamento da exposição será hoje, Dia de Finados. Também haverá uma revoada de pombas para simbolizar o desejo de paz a todos.
Serviço
Exposição Homenagear é arte
Início: 2/11/2011
Onde: Crematório Vaticano - Rodovia BR-101 km 132 Nº 3650. Balneário Camboriú – SC
Horário: a partir das 9h
Visitação gratuita
Maiores informações: (47) 3361-0400 / 3361-0171

Fonte: http://www.diarinho.com.br/materias.cfm?caderno=25&materia=35427